2º PARTE
Marcos tinha pensado naquela conversa dês de então e
resolveu pesquisar sobre as pessoas com deficiência que lhe despertou a
curiosidade e nessas pesquisas ele encontrou muitas curiosidades. Então digitou
“DEUSES DEFICIENTES” apareceu muito material curioso, como que os gregos
clássicos matavam os “defeituosos”, os deficientes tinham tido uma
existência da história humana como se fossem animais sem alma, maldição dos
deuses ou mais ressente, por termos uma cultura conservadora, tratados como
“crianças eternas”.
Mas leu que havia um deus coxo grego que tinha o nome de
Hefesto. Hefesto, ou em latim Vulcano, era o deus do trabalho e da metalúrgica é rejeitado pela mãe
Hera, por ser coxo, foi jogado do Monte Olimpo na ilha de Lemmos e foi criado
por nereidas Tétis e Eurínome. O deus tinha grande habilidade para a forja e com
isso, escondido, forjou o trono do seu pai Zeus com várias armadilhas para o
mesmo ter que o soltar e foi isso que fez, sendo dês de então, os doses deuses
olimpianos. Marcos então se entregou em seus pensamentos: “Não me surpreende terem tantas instituições que cuidam dessas pessoas,
pois nossa sociedade ainda conservadora, enxerga como crianças eternas”.
Mas a pesquisa não parou e continuou mais e digitou
“superação” eis que apareceu só atletas paraolímpicos que são um meio, mas não
são a única opção para a inclusão das pessoas com deficiência. Daí começou a pensar:
“Será que existe uma padronização do que
as pessoas pensam em superar? Será que há um estereotipo ditado dentro da
sociedade para definir o que é ou não “superar?”. Eis grandes questões que
não estão excluídas dentro da moral ou dentro de nenhum pensamento sobre a
ética, porque além de temos um estereotipo definido – como se não pudéssemos
ter outro pensamento muito mais abrangente – e não se poderia ter outros.
Foucault teria esse foco como um discurso do poder, um discurso que o poder
colocaria como algo para dominar.
Já tinha dado 10: 00 horas da manhã e teria que ir dar aula
na escola que era professor substituto de filosofia, porque o titular teve que
se afastar por motivos de saúde. Dentro do carro ouvindo se rock de sempre
ficava pensando o que seria tudo aquilo, o que seria a realidade e porque
pessoas nasciam com deficiência e o porquê eram tão largadas sem um tratamento
adequado. Mas existiam pessoas como Alice, inteligentes e sabiam se comunicar
que tinham algo a nos passar, eram raras exceções num mundo obscuro por
estereótipos da sociedade.
Na sala de aula, Marcos tinha uma postura calma e muito
tranquila, pois dês de quando entrou, não teve problemas com os alunos. Sentado
já na mesa viu um aluno levantar a mão para fazer uma pergunta e Marcos
consentiu, porque sempre pensava que na filosofia o aluno tinha que ter no
mínimo, liberdade para perguntar:
-- Professor, será que Deus existe mesmo? Porque vejo tantas
coisas como pessoas morrendo, pessoas nascem com defeitos, pessoas andam de cadeira
de rodas que até fico em dúvida se existe mesmo.
-- Não sei. Só sei das perguntas que poderíamos perguntar a
um religioso que segue os ritos desse Deus. Chegamos num ponto muito mais moral
do que religioso, não que a religião não tenha sua moral, mas existe uma ética acima
disso muito interessante. Existem pessoas que tomam um tiro de um assaltante ou
uma bala perdida, vimos isso muito nos noticiários, e fica paraplégica, ou tetraplégica,
ou enfim, numa cadeira de rodas. Existem vários fatos que culminaram nisso: 1, é
a questão da segurança pública que é uma questão de o executivo votar leis para
melhor garantir isso. 2, é questão da desigualdade gritante que vive nosso país
e isso cria uma expectativa, que é errada, que o crime pode garantir a sobrevivência
do indivíduo. 3, é a questão da educação que não garante que o indivíduo aprenda
que só garantindo honestamente o seu sustento é que garante sua paz, sua
liberdade e respeito pela vida humana. Ora, não sabemos se Deus existe ou não,
mas sabemos que cada ser humano pode fazer escolhas e essas escolhas são dentro
dos seus valores morais que aprenderam.
-- Mas professor e quem, por exemplo, nasce com uma deficiência?
Quem contem doenças como o câncer?
-- Espera aí, Tiago...existe duas questões interessantes
dentro dessa mesma questão. O que pode desencadear uma deficiência? Coincidência
ou não, nessa manhã estava eu fazendo algumas pesquisas e achei um material
importante dentro da questão da deficiência, pois sou voluntario dentro de uma instituição.
Na Grécia clássica, com todo aquele conhecimento e de certa forma, uma cultura
elevada para a época, se matava pessoas com certas limitações por questões práticas.
Pode nos ser cruel, mas é bastante plausível na época, pois numa eventual fuga,
muito dessas pessoas iriam atrasar essa fuga. Mesmo assim, há uma lenda de um
deus dos trabalhadores e da metalúrgica que era coxo, esse deus chama Hefesto,
que era coxo. Ora, ao mesmo tempo que os gregos clássicos matavam as pessoas
com deficiência, deu a um deus olímpico a limitação de uma perna. Entende? Isso
são coisas muito mais relacionadas com a moral do que relacionadas com a parte
religiosa da questão, porque hoje uma criança nasce doente ou deficiente, ela
tem os mesmos direitos do que qualquer cidadão da humanidade e existem
tratamento para isso.
Ele levantou e sentou na mesa para os alunos melhor vê-lo
falando e continuou:
-- Existe um fator humano nessas duas situações, embora
existam pessoas que acreditam que é escolha da alma ou é uma prova de fé dos
pais e por aí vai, que fara com que muitas crianças nasçam com alguma deficiência
qualquer ou até, nasça com câncer. Existe a pobreza, que ficam dependentes de
um serviço médico ou hospitalar do governo de segunda qualidade. Existe fatores
genéticos que podem também culminar em uma deficiência, ou fatores de doenças ou
produtos tóxicos. Isso também pode ser uma das causas do câncer e assim caminha
a humanidade. A questão trazida pelo nosso colega Tiago é uma questão completamente,
moral para o bem ou o mal e se isso implica na existência ou não de Deus. Mas aí
vou muito mais a fundo: se Deus existir, ele com sua onisciência, criou ou mal?
E se o bem e o mal nada tem a ver do que observamos como atitudes e o que
percebemos? A deficiência pode ser uma limitação, mas pode não limitar a
felicidade, como alguns tipos de câncer ter tratamento, é uma questão de visão.
Mesmo eu sendo um cara cético, eu não costumo ter uma mente fechada e sempre
questiono tanto a religião, quanto as ditas descobertas cientificas,
principalmente, quando essas descobertas têm a ver com nossa vida cotidiana. Podemos
analisar uma coisa, uma deficiência não depende da existência ou não de Deus,
mas a existência ou não da ética. Por que da ética? O ESTADO como tal, não dá
garantias de um tratamento digno para todos, o ESTADO não garante que as pessoas
sejam informadas sobre isso, o ESTADO não dará tratamento adequado a essas
pessoas e isso, muitas vezes, fica a cargo de instituições pouco preocupam com a questão. É ou não moral Tiago? O que você acha disso?
-- Acho professor que a questão que você traz é
interessante, mas acho que tem muito a ver a religião que cega as pessoas como
o cientista Richard Dawkins diz nos seus livros – Marcos mesmo cético não gostava
de fundamentalistas de nenhum dos lados.
-- Você sabia Tiago, que esse mesmo cientista dito biólogo,
disse que é imoral a mulher ter um filho com síndrome de down? – Tiago fez com a
cabeça um sinal de negativo – Pois é, esse tipo de sujeito seduz muito fácil, pessoas
como você, um garoto, e fundamenta uma ideia muito agradável. Porém, nem sabe o
que está dizendo, pois, o problema das guerras não é a religião, mas interesses
econômicos que usam a religião como uns dos pontos, outro ponto é o
nacionalismo que dês do tempo de Jesus, até antes, existem na região. Continua.
-- Se Deus existe, ele como senso bom, não deveria deixar
nascer crianças com deficiência ou com doenças, talvez nem exista. – então,
Marcos levantou e olhou para a classe e perguntou para a classe:
-- Mais alguém quer expressar a opinião sobre? Gostaria que alguém
que acredita veemente em Deus possa refutar Tiago. – Uma aluna com cabelos
compridos e uma saia comprida levantou a mão. Marcos fez um gesto com a mão
para a menina levantar e falar.
-- Mas o próprio professor disse que não tem muito a ver com
a existência ou não de Deus ter crianças com deficiência, é uma questão de visão
como poderíamos enxergar essa opinião. Eu acredito que tudo tem um proposito e
esse proposito tem a ver com a criação, tudo se fez dentro da vontade de Deus e
ele enxerga tudo e vê tudo.
-- Ótimo Natália – disse Marcos com entusiasmo, pois o
assunto fluía – resta saber, se esse Deus enxerga tudo, não poderia prever, por
exemplo, chacinas ou matanças como o nazismo fez? Ou todas as guerras que houveram
dentro do oriente médio?
-- Ah, professor...acredito que Deus deu todas as escolhas possíveis
a humanidade.
-- Ótimo! Quero para sexta uma redação sobre isso na minha
mesa e terá no mínimo uma folha e no máximo quantas folhas quiserem. Nada de
meia folha.
Todos saíram e a aula acabou. Marcos ficou pensativo por
tudo que foi falado, talvez, poderia ter uma conversa dessas com Alice.
CONTINUA

