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Parte
4
Marcos era um cara ponderado e gostava de conhecer coisas
novas, então, quando começava a ler um livro, ele não abria com o conceito
pronto. Quando abriu o livro, achou que
era mais um livro de um escritor deficiente que queria desabafar algo sem proposito
dentro da sua vida medíocre, reles engano. Ele entendeu perfeitamente o mundo
do deficiente e o que há no seu pensamento, nos seus sentimentos e em todo o
caminho que levou a aquele trabalho. Mas o que realmente poderia ser tão pior
do que existir leis e ver nenhuma ser respeitadas? Como é ver um mundo que diz
que você tem o direito à vida e não te dá o mínimo para viver? Como é ver sua
própria namorada ser assediada bem perto de você? Tudo isso estava lá no livro.
Daí Marcos pensou: “realmente
essas pessoas querem ser ouvidas e não são ouvidas, pois as vozes são abafadas
por uma cultura inútil que não traz nenhum conhecimento. Que conhecimento se
pode ter em livros sem conteúdo? Que conhecimento tem várias redes sociais que
não trazem esse conhecimento ao público? Esse livro é importante para entender
como vivem os deficientes dentro de uma sociedade confusa, com uma cultura
bilateral, uma dicotomia que não faz sentido e alimentada por intelectuais que
alimentam essa dicotomia.”. Marcos não acreditava que eles ficaram assim
por ter feito algo em uma outra vida, não acreditava que se tinha traçado esse
tipo de coisa dentro do destino. Mas achou interessando o diálogo do livro
sobre isso, a teoria do banco que dês da fábrica estava condicionado a Vanessa
(personagem principal), a sentar ali e conhecer Vladimir. Será mesmo que somos
destinados a conhecer as pessoas que devemos conhecer? Será que ele estava
destinado a conhecer Alice? Marcos sempre revia as suas convicções, pois sabia
que o universo era muito grande para temos uma certeza absoluta.
Talvez, Marcos viu muito mais do que um mero romance, mas
também um livro de filosofia, um livro sobre políticas inclusivas de deficientes.
Não tinha nenhuma política de verdade, só tinha discurso demagogo, onde eles
não podem trabalhar e nem estudar, pois não existem políticas para incluir
essas pessoas nem no ensino e nem no mercado de trabalho. Aquilo era um grito
daqueles que estudam e não podem trabalhar, gastam horas em um curso, gastam
dinheiro em livros e depois os empresários ainda dizem que essas pessoas não
eram qualificadas. Como não são se o próprio autor, que era publicitário e TI
(técnico de informática)? Muito estranho um país como o nosso, com tantos recursos
naturais, tenha tantos descasos e tão pouca políticas públicas para essa
parcela muito esquecida.
Essa parte do livro não seria só uma questão humanitário,
mesmo o porquê, dentro das convenções da ONU e dentro até da constituição
federal, não havia só o direito à vida, havia sim, o direito de ir e vir.
Talvez por entender isso, por entender que o autor estava dizendo que os
deficientes teriam o direito à vida e a liberdade, que Alice fez a pergunta:
“onde está a liberdade? ”. Liberdade que não existe para os deficientes,
liberdade que não haveria de existir a ninguém e que os pastores anulavam num
modo religioso. A inclusão não é um ato só humanizado, mas um ato ético que
valoriza o ser humano que só tem uma limitação. Mesmo assim, é um ser humano
como qualquer um.
- Querido, quer tomar um chá? – Disse a mãe de Marcos – Acho
que você encontrou uma causa ótima para defender, essas pessoas são carentes de
alguém tenha algum olhar sobre elas. Bom esse livro? Onde pegou?
-- Sim mãe, eu peguei com uma colega na instituição onde a
senhora sugeriu. Estou gostando muito desse tema e estou gostando muito de
conhecer o mundo deles, porque tem a ver com a ética e toda a sua nuance. Esse
livro chama O Caminho e o autor, pelo que pesquisei, também é deficiente e formado
em publicidade, mas as agências de publicidade não quiseram pega-lo, mesmo
mandando currículo.
-- Nossa – a mãe dele disse com um ar indignada – esse país
está cheio de preconceito e egoísmo. O que custava ter dado chance ao rapaz?
Mas o que parece, pelo que estou vendo, pelo menos, ele está investindo o que
gosta e a escrita é uma das dadivas que Deus pode nos dá. Depois você me
empresta o livro?
-- Tem cenas fortes, dona Isadora – disse Marcos com uma
risada irônica.
-- Ora Marcos, já li coisas piores e nada nesse mundo me
choca. Esqueceu que além de ser psicóloga ainda trabalho na área social? – Disse
dona Isadora olhando atentamente seu filho – Gosto de ler coisas desse tipo
para mim fazer o perfil dos deficientes que estou atendendo lá aonde trabalho.
-- Por mim, tudo bem. Eu acabei de ler e fazer algumas
anotações sobre. Interessante o livro e tem muito a ver com que os deficientes
vivem mãe, porque até assediados eles são e pelo que li, existem muitas
mulheres com deficiência sendo estupradas e nesse livro, existe alguma coisa
sobre.
Dona Isadora deu um sorriso e pegou o livro, foleou e levou,
enquanto saia do quarto. Marcos como sempre, ficou pensando o que leu e
retomando suas ideias quanto a ética, enquanto a realidade que não poderia ser
real, ou a possibilidade daquela moça que Alice disse, ser mais uma mulher com
deficiência a ser bolinada e na pior das hipóteses, ser estuprada. Mas como
alguém é estuprado dentro de uma instituição no qual, deveria zelar pelo
bem-estar delas? Alice deu seus contatos e deu o seu celular e assim, poderiam
se comunicar no Wattsapp.
marcosfilosofo- 011984123939
Alice você está online?
Espero um pouco, mas demorou para vir a resposta e ele se
perdeu nos seus pensamentos: “Aquela
mocinha estava muito quieta com um ar de sofrimento. Será que isso pode ser
considerado um sinal disso? Tenho medo de perguntar para minha mãe e não poder
abrir o jogo para ela, não poder dizer que estou numa investigação que poderei
entrar numa coisa muito grande”. De repente o telefone assobia:
alicepaismaravilha – 01198873636
Estou lendo um livro interessante. Já leu Como eu era antes
de você?
marcosfilosofo- 011984123939
Ainda não, mas eu lerei...fala sobre o quê?
alicepaismaravilha – 01198873636
Fala de uma moça que vai cuidar de um tetraplégico que quer
se matar por causa de sua deficiência, e sua mãe, pede seis meses de prazo. Eu
não terminei ainda, mas é interessante.
marcosfilosofo- 011984123939
hummmm...eu lerei, estou querendo mesmo ler bastante sobre a
deficiência e será uma leitura muito interessante. Eu acabei o livro e
emprestei para minha mãe, achei que ela deveria ler por trabalhar na área
social.
alicepaismaravilha – 01198873636
O que achou do livro?
marcosfilosofo- 011984123939
Bem estruturado e tem assuntos bem interessantes, pois trata
muito de filosofia e outros assuntos que entram a ética.
alicepaismaravilha – 01198873636
Acho que o autor transmitiu muita coisa que estava sentindo
e suas frustrações diante da vida, como nunca ter conseguido ser publicitário
ou ter uma vida que não gostaria de ter. Mas por outro lado, ele fez denúncias
importantes dentro do tema. Achei bastante interessante, pois colocou até o
tema do assedio dentro da deficiência ele colocou e isso é importante, pois
somos muito assediadas.
marcosfilosofo- 011984123939
é mesmo? Você também foi assediada aí?
alicepaismaravilha – 01198873636
Sim. Por muitos enfermeiros que nos tocam com malicia com a
desculpa de que estão examinando e não podemos dizer a ninguém, porque senão,
Dona Clara fica brava. Não vai contar a ninguém, vai?
marcosfilosofo- 011984123939
não se preocupe, não contarei para ninguém que tivemos essa
conversa, pois queria ter certeza das minhas suspeitas. Vou ter que sair um
pouco, bjos
alicepaismaravilha – 01198873636
tá bom...bjos
CONTINUA

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