Thursday, March 17, 2016

O Professor e a Cadeirante (Parte 4)



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Parte 4

Marcos era um cara ponderado e gostava de conhecer coisas novas, então, quando começava a ler um livro, ele não abria com o conceito pronto.  Quando abriu o livro, achou que era mais um livro de um escritor deficiente que queria desabafar algo sem proposito dentro da sua vida medíocre, reles engano. Ele entendeu perfeitamente o mundo do deficiente e o que há no seu pensamento, nos seus sentimentos e em todo o caminho que levou a aquele trabalho. Mas o que realmente poderia ser tão pior do que existir leis e ver nenhuma ser respeitadas? Como é ver um mundo que diz que você tem o direito à vida e não te dá o mínimo para viver? Como é ver sua própria namorada ser assediada bem perto de você? Tudo isso estava lá no livro.

Daí Marcos pensou: “realmente essas pessoas querem ser ouvidas e não são ouvidas, pois as vozes são abafadas por uma cultura inútil que não traz nenhum conhecimento. Que conhecimento se pode ter em livros sem conteúdo? Que conhecimento tem várias redes sociais que não trazem esse conhecimento ao público? Esse livro é importante para entender como vivem os deficientes dentro de uma sociedade confusa, com uma cultura bilateral, uma dicotomia que não faz sentido e alimentada por intelectuais que alimentam essa dicotomia.”. Marcos não acreditava que eles ficaram assim por ter feito algo em uma outra vida, não acreditava que se tinha traçado esse tipo de coisa dentro do destino. Mas achou interessando o diálogo do livro sobre isso, a teoria do banco que dês da fábrica estava condicionado a Vanessa (personagem principal), a sentar ali e conhecer Vladimir. Será mesmo que somos destinados a conhecer as pessoas que devemos conhecer? Será que ele estava destinado a conhecer Alice? Marcos sempre revia as suas convicções, pois sabia que o universo era muito grande para temos uma certeza absoluta.

Talvez, Marcos viu muito mais do que um mero romance, mas também um livro de filosofia, um livro sobre políticas inclusivas de deficientes. Não tinha nenhuma política de verdade, só tinha discurso demagogo, onde eles não podem trabalhar e nem estudar, pois não existem políticas para incluir essas pessoas nem no ensino e nem no mercado de trabalho. Aquilo era um grito daqueles que estudam e não podem trabalhar, gastam horas em um curso, gastam dinheiro em livros e depois os empresários ainda dizem que essas pessoas não eram qualificadas. Como não são se o próprio autor, que era publicitário e TI (técnico de informática)? Muito estranho um país como o nosso, com tantos recursos naturais, tenha tantos descasos e tão pouca políticas públicas para essa parcela muito esquecida.

Essa parte do livro não seria só uma questão humanitário, mesmo o porquê, dentro das convenções da ONU e dentro até da constituição federal, não havia só o direito à vida, havia sim, o direito de ir e vir. Talvez por entender isso, por entender que o autor estava dizendo que os deficientes teriam o direito à vida e a liberdade, que Alice fez a pergunta: “onde está a liberdade? ”. Liberdade que não existe para os deficientes, liberdade que não haveria de existir a ninguém e que os pastores anulavam num modo religioso. A inclusão não é um ato só humanizado, mas um ato ético que valoriza o ser humano que só tem uma limitação. Mesmo assim, é um ser humano como qualquer um.

- Querido, quer tomar um chá? – Disse a mãe de Marcos – Acho que você encontrou uma causa ótima para defender, essas pessoas são carentes de alguém tenha algum olhar sobre elas. Bom esse livro? Onde pegou?

-- Sim mãe, eu peguei com uma colega na instituição onde a senhora sugeriu. Estou gostando muito desse tema e estou gostando muito de conhecer o mundo deles, porque tem a ver com a ética e toda a sua nuance. Esse livro chama O Caminho e o autor, pelo que pesquisei, também é deficiente e formado em publicidade, mas as agências de publicidade não quiseram pega-lo, mesmo mandando currículo.

-- Nossa – a mãe dele disse com um ar indignada – esse país está cheio de preconceito e egoísmo. O que custava ter dado chance ao rapaz? Mas o que parece, pelo que estou vendo, pelo menos, ele está investindo o que gosta e a escrita é uma das dadivas que Deus pode nos dá. Depois você me empresta o livro?

-- Tem cenas fortes, dona Isadora – disse Marcos com uma risada irônica.

-- Ora Marcos, já li coisas piores e nada nesse mundo me choca. Esqueceu que além de ser psicóloga ainda trabalho na área social? – Disse dona Isadora olhando atentamente seu filho – Gosto de ler coisas desse tipo para mim fazer o perfil dos deficientes que estou atendendo lá aonde trabalho.

-- Por mim, tudo bem. Eu acabei de ler e fazer algumas anotações sobre. Interessante o livro e tem muito a ver com que os deficientes vivem mãe, porque até assediados eles são e pelo que li, existem muitas mulheres com deficiência sendo estupradas e nesse livro, existe alguma coisa sobre.

Dona Isadora deu um sorriso e pegou o livro, foleou e levou, enquanto saia do quarto. Marcos como sempre, ficou pensando o que leu e retomando suas ideias quanto a ética, enquanto a realidade que não poderia ser real, ou a possibilidade daquela moça que Alice disse, ser mais uma mulher com deficiência a ser bolinada e na pior das hipóteses, ser estuprada. Mas como alguém é estuprado dentro de uma instituição no qual, deveria zelar pelo bem-estar delas? Alice deu seus contatos e deu o seu celular e assim, poderiam se comunicar no Wattsapp.

marcosfilosofo- 011984123939
Alice você está online?

Espero um pouco, mas demorou para vir a resposta e ele se perdeu nos seus pensamentos: “Aquela mocinha estava muito quieta com um ar de sofrimento. Será que isso pode ser considerado um sinal disso? Tenho medo de perguntar para minha mãe e não poder abrir o jogo para ela, não poder dizer que estou numa investigação que poderei entrar numa coisa muito grande”. De repente o telefone assobia:

alicepaismaravilha – 01198873636
Estou lendo um livro interessante. Já leu Como eu era antes de você?

marcosfilosofo- 011984123939
Ainda não, mas eu lerei...fala sobre o quê?

alicepaismaravilha – 01198873636
Fala de uma moça que vai cuidar de um tetraplégico que quer se matar por causa de sua deficiência, e sua mãe, pede seis meses de prazo. Eu não terminei ainda, mas é interessante.

marcosfilosofo- 011984123939
hummmm...eu lerei, estou querendo mesmo ler bastante sobre a deficiência e será uma leitura muito interessante. Eu acabei o livro e emprestei para minha mãe, achei que ela deveria ler por trabalhar na área social.

alicepaismaravilha – 01198873636
O que achou do livro?

marcosfilosofo- 011984123939
Bem estruturado e tem assuntos bem interessantes, pois trata muito de filosofia e outros assuntos que entram a ética.

alicepaismaravilha – 01198873636
Acho que o autor transmitiu muita coisa que estava sentindo e suas frustrações diante da vida, como nunca ter conseguido ser publicitário ou ter uma vida que não gostaria de ter. Mas por outro lado, ele fez denúncias importantes dentro do tema. Achei bastante interessante, pois colocou até o tema do assedio dentro da deficiência ele colocou e isso é importante, pois somos muito assediadas.

marcosfilosofo- 011984123939
é mesmo? Você também foi assediada aí?

alicepaismaravilha – 01198873636
Sim. Por muitos enfermeiros que nos tocam com malicia com a desculpa de que estão examinando e não podemos dizer a ninguém, porque senão, Dona Clara fica brava. Não vai contar a ninguém, vai?

marcosfilosofo- 011984123939
não se preocupe, não contarei para ninguém que tivemos essa conversa, pois queria ter certeza das minhas suspeitas. Vou ter que sair um pouco, bjos

alicepaismaravilha – 01198873636
tá bom...bjos


CONTINUA

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